Cursando teatro, assisti esta peça numa pequena cidade de Santa Catarina.
Anamotia Frozen
Companhia de Teatro Razões Inversas
Ficha Técnica
Texto: Bryony Lavery
Direção: Marcio Aurelio
Assistente de direção: Lígia Pereira
Elenco: Joca Andreazza e Paulo Marcello
Tradução: Rachel Ripani
Iluminação, Cenário e Trilha Sonora: Marcio Aurelio
Projeto Gráfico: Pedo Penafiel
Idealização: Rachel Ripan
Logo no começo da peça, achei um tanto cansativo e prolixo os dois monólogos. Mas à medida que o espetáculo foi se desenrolando, fui deixando me envolver pela reflexão filosófica que a peça nos obriga a fazer sobre determinados comportamentos do homem.
Uma pergunta feita várias vezes durante a apresentação: “crimes cometidos por psicopatas são perdoáveis?” não deixa de ser intrigante, pois nos faz refletir como a sociedade pode ser tão perversa e agir tal qual como o próprio psicopata, principalmente diante de crimes hediondos, ainda mais quando cometidos contra vítimas indefesas, como crianças por exemplo.
Anatomia Frozen (congelada), nos coloca por alguns momentos do outro lado, ou seja, do ponto de vista do criminoso psicopata. Uma pessoa frágil, com traumas de infância, com alguns sentimentos como qualquer cidadão normal, mas incapaz de sentir pena ou remorso. Tão frias podem ser também pessoas “normais” diante de perversidades cometidas por seus semelhantes. Mais frias ainda me pareceram as análises científicas sobre o cérebro, córtex, lóbulos, etc. O indivíduo e toda sua essência (ou emoções) são deixados de lado e a preservação da sociedade com todos seus traumas e medos prevalece. Mas não é a sociedade composta por indivíduos? Assim como para quaisquer crimes cometidos, de um furto de uma bicicleta a assassinatos em série, antes de condenarmos alguém se faz premente uma reflexão sobre os verdadeiros motivos que o levaram a cometer tal coisa.
MOMENTOS
O momento mais emocionante, em minha opinião, foi quando a mãe da garota Nina encontra-se com seu algoz. Ela o perdoa mesmo? A expressão no rosto de Paulo Marcello, com aquela maquiagem vermelha borrada, ao se virar para a platéia logo após os primeiros diálogos com o assassino, transmitiu-me dor e tristeza tão profundas que pela primeira vez na vida pude sentir como deve se sentir a mãe que sofre a perda de um filho. E olha que assistimos diariamente nos telejornais este tipo de notícia. Essa é a beleza do teatro, acabei de crer.
Em vários momentos do espetáculo Joca Andreazza se dirige à sua vítima com um “oi” aterrorizante. Seu “oi” parece vir carregado de sensações que só a mente de um psicopata poderia ter (ou de um ator tão bom que nos faça arrepiar de medo como se déssemos de cara com um).
CENÁRIO E FIGURINO
Uma pergunta feita várias vezes durante a apresentação: “crimes cometidos por psicopatas são perdoáveis?” não deixa de ser intrigante, pois nos faz refletir como a sociedade pode ser tão perversa e agir tal qual como o próprio psicopata, principalmente diante de crimes hediondos, ainda mais quando cometidos contra vítimas indefesas, como crianças por exemplo.
Anatomia Frozen (congelada), nos coloca por alguns momentos do outro lado, ou seja, do ponto de vista do criminoso psicopata. Uma pessoa frágil, com traumas de infância, com alguns sentimentos como qualquer cidadão normal, mas incapaz de sentir pena ou remorso. Tão frias podem ser também pessoas “normais” diante de perversidades cometidas por seus semelhantes. Mais frias ainda me pareceram as análises científicas sobre o cérebro, córtex, lóbulos, etc. O indivíduo e toda sua essência (ou emoções) são deixados de lado e a preservação da sociedade com todos seus traumas e medos prevalece. Mas não é a sociedade composta por indivíduos? Assim como para quaisquer crimes cometidos, de um furto de uma bicicleta a assassinatos em série, antes de condenarmos alguém se faz premente uma reflexão sobre os verdadeiros motivos que o levaram a cometer tal coisa.
MOMENTOS
O momento mais emocionante, em minha opinião, foi quando a mãe da garota Nina encontra-se com seu algoz. Ela o perdoa mesmo? A expressão no rosto de Paulo Marcello, com aquela maquiagem vermelha borrada, ao se virar para a platéia logo após os primeiros diálogos com o assassino, transmitiu-me dor e tristeza tão profundas que pela primeira vez na vida pude sentir como deve se sentir a mãe que sofre a perda de um filho. E olha que assistimos diariamente nos telejornais este tipo de notícia. Essa é a beleza do teatro, acabei de crer.
Em vários momentos do espetáculo Joca Andreazza se dirige à sua vítima com um “oi” aterrorizante. Seu “oi” parece vir carregado de sensações que só a mente de um psicopata poderia ter (ou de um ator tão bom que nos faça arrepiar de medo como se déssemos de cara com um).
CENÁRIO E FIGURINO
Apenas três banquinhos e máscaras e luvas cirúrgicas. Esse figurino nos remete a assepsia. Isso me fez pensar que deveríamos “limpar” de nossa mente quaisquer coisas e, perdoe o neologismo e o trocadilho com o nome da peça, “congeladamente” fazer uma anatomia de certos comportamentos humanos.
De qualquer maneira, acredito que quanto menos cenário e menos figurino, melhor deva ser o ator. Do contrário não teria prendido nossa atenção até o final e transmitido toda aquela mistura de emoções sem outras “atrações”.
PÚBLICO
Foi uma experiência lamentável presenciar o comportamento de muitas pessoas da platéia. Não vejo nenhum problema quando a platéia reage ao enredo da peça; rindo, chorando, exclamando ohhhs. Até aí, tudo bem, pois a reação é consonante com o tema. Mas rir num momento dramático ou não fazer silêncio em falas importantes, ou pior, não fazer silêncio durante todo o espetáculo, é falta de educação e de bom senso. E fazendo ainda uma análise mais apurada do comportamento da platéia eu diria: inocência. Por que inocência? Ora, rir de um figurino simples, de gestos estapafúrdios ou do comportamento típico de artistas em cena, só pode ser proveniente da inocência de jovens que a léguas de distância de emoções mais complexas e profundas, deixam-se levar apenas pelas camadas mais externas do que quer que seja. Poderia ser esse mesmo tipo de inocência, perniciosa, que arrebataria milhares de jovens a se distanciar cada vez mais de nossa cultura?
De qualquer maneira, acredito que quanto menos cenário e menos figurino, melhor deva ser o ator. Do contrário não teria prendido nossa atenção até o final e transmitido toda aquela mistura de emoções sem outras “atrações”.
PÚBLICO
Foi uma experiência lamentável presenciar o comportamento de muitas pessoas da platéia. Não vejo nenhum problema quando a platéia reage ao enredo da peça; rindo, chorando, exclamando ohhhs. Até aí, tudo bem, pois a reação é consonante com o tema. Mas rir num momento dramático ou não fazer silêncio em falas importantes, ou pior, não fazer silêncio durante todo o espetáculo, é falta de educação e de bom senso. E fazendo ainda uma análise mais apurada do comportamento da platéia eu diria: inocência. Por que inocência? Ora, rir de um figurino simples, de gestos estapafúrdios ou do comportamento típico de artistas em cena, só pode ser proveniente da inocência de jovens que a léguas de distância de emoções mais complexas e profundas, deixam-se levar apenas pelas camadas mais externas do que quer que seja. Poderia ser esse mesmo tipo de inocência, perniciosa, que arrebataria milhares de jovens a se distanciar cada vez mais de nossa cultura?
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