A maior dádiva do artista é o poder quase divino de cristalizar suas emoções em um manto de magia e beleza.
Seja amarga, doce, mórbida ou alegre; quanto mais verdadeira for sua emoção mais bela será sua arte.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Anatomia Frozen - Razões Inversas
Cursando teatro, assisti esta peça numa pequena cidade de Santa Catarina.
Anamotia Frozen
Companhia de Teatro Razões Inversas
Ficha Técnica
Texto: Bryony Lavery
Direção: Marcio Aurelio
Assistente de direção: Lígia Pereira
Elenco: Joca Andreazza e Paulo Marcello
Tradução: Rachel Ripani
Iluminação, Cenário e Trilha Sonora: Marcio Aurelio
Projeto Gráfico: Pedo Penafiel
Idealização: Rachel Ripan
Logo no começo da peça, achei um tanto cansativo e prolixo os dois monólogos. Mas à medida que o espetáculo foi se desenrolando, fui deixando me envolver pela reflexão filosófica que a peça nos obriga a fazer sobre determinados comportamentos do homem.
Uma pergunta feita várias vezes durante a apresentação: “crimes cometidos por psicopatas são perdoáveis?” não deixa de ser intrigante, pois nos faz refletir como a sociedade pode ser tão perversa e agir tal qual como o próprio psicopata, principalmente diante de crimes hediondos, ainda mais quando cometidos contra vítimas indefesas, como crianças por exemplo.
Anatomia Frozen (congelada), nos coloca por alguns momentos do outro lado, ou seja, do ponto de vista do criminoso psicopata. Uma pessoa frágil, com traumas de infância, com alguns sentimentos como qualquer cidadão normal, mas incapaz de sentir pena ou remorso. Tão frias podem ser também pessoas “normais” diante de perversidades cometidas por seus semelhantes. Mais frias ainda me pareceram as análises científicas sobre o cérebro, córtex, lóbulos, etc. O indivíduo e toda sua essência (ou emoções) são deixados de lado e a preservação da sociedade com todos seus traumas e medos prevalece. Mas não é a sociedade composta por indivíduos? Assim como para quaisquer crimes cometidos, de um furto de uma bicicleta a assassinatos em série, antes de condenarmos alguém se faz premente uma reflexão sobre os verdadeiros motivos que o levaram a cometer tal coisa.
MOMENTOS
O momento mais emocionante, em minha opinião, foi quando a mãe da garota Nina encontra-se com seu algoz. Ela o perdoa mesmo? A expressão no rosto de Paulo Marcello, com aquela maquiagem vermelha borrada, ao se virar para a platéia logo após os primeiros diálogos com o assassino, transmitiu-me dor e tristeza tão profundas que pela primeira vez na vida pude sentir como deve se sentir a mãe que sofre a perda de um filho. E olha que assistimos diariamente nos telejornais este tipo de notícia. Essa é a beleza do teatro, acabei de crer.
Em vários momentos do espetáculo Joca Andreazza se dirige à sua vítima com um “oi” aterrorizante. Seu “oi” parece vir carregado de sensações que só a mente de um psicopata poderia ter (ou de um ator tão bom que nos faça arrepiar de medo como se déssemos de cara com um).
CENÁRIO E FIGURINO
Uma pergunta feita várias vezes durante a apresentação: “crimes cometidos por psicopatas são perdoáveis?” não deixa de ser intrigante, pois nos faz refletir como a sociedade pode ser tão perversa e agir tal qual como o próprio psicopata, principalmente diante de crimes hediondos, ainda mais quando cometidos contra vítimas indefesas, como crianças por exemplo.
Anatomia Frozen (congelada), nos coloca por alguns momentos do outro lado, ou seja, do ponto de vista do criminoso psicopata. Uma pessoa frágil, com traumas de infância, com alguns sentimentos como qualquer cidadão normal, mas incapaz de sentir pena ou remorso. Tão frias podem ser também pessoas “normais” diante de perversidades cometidas por seus semelhantes. Mais frias ainda me pareceram as análises científicas sobre o cérebro, córtex, lóbulos, etc. O indivíduo e toda sua essência (ou emoções) são deixados de lado e a preservação da sociedade com todos seus traumas e medos prevalece. Mas não é a sociedade composta por indivíduos? Assim como para quaisquer crimes cometidos, de um furto de uma bicicleta a assassinatos em série, antes de condenarmos alguém se faz premente uma reflexão sobre os verdadeiros motivos que o levaram a cometer tal coisa.
MOMENTOS
O momento mais emocionante, em minha opinião, foi quando a mãe da garota Nina encontra-se com seu algoz. Ela o perdoa mesmo? A expressão no rosto de Paulo Marcello, com aquela maquiagem vermelha borrada, ao se virar para a platéia logo após os primeiros diálogos com o assassino, transmitiu-me dor e tristeza tão profundas que pela primeira vez na vida pude sentir como deve se sentir a mãe que sofre a perda de um filho. E olha que assistimos diariamente nos telejornais este tipo de notícia. Essa é a beleza do teatro, acabei de crer.
Em vários momentos do espetáculo Joca Andreazza se dirige à sua vítima com um “oi” aterrorizante. Seu “oi” parece vir carregado de sensações que só a mente de um psicopata poderia ter (ou de um ator tão bom que nos faça arrepiar de medo como se déssemos de cara com um).
CENÁRIO E FIGURINO
Apenas três banquinhos e máscaras e luvas cirúrgicas. Esse figurino nos remete a assepsia. Isso me fez pensar que deveríamos “limpar” de nossa mente quaisquer coisas e, perdoe o neologismo e o trocadilho com o nome da peça, “congeladamente” fazer uma anatomia de certos comportamentos humanos.
De qualquer maneira, acredito que quanto menos cenário e menos figurino, melhor deva ser o ator. Do contrário não teria prendido nossa atenção até o final e transmitido toda aquela mistura de emoções sem outras “atrações”.
PÚBLICO
Foi uma experiência lamentável presenciar o comportamento de muitas pessoas da platéia. Não vejo nenhum problema quando a platéia reage ao enredo da peça; rindo, chorando, exclamando ohhhs. Até aí, tudo bem, pois a reação é consonante com o tema. Mas rir num momento dramático ou não fazer silêncio em falas importantes, ou pior, não fazer silêncio durante todo o espetáculo, é falta de educação e de bom senso. E fazendo ainda uma análise mais apurada do comportamento da platéia eu diria: inocência. Por que inocência? Ora, rir de um figurino simples, de gestos estapafúrdios ou do comportamento típico de artistas em cena, só pode ser proveniente da inocência de jovens que a léguas de distância de emoções mais complexas e profundas, deixam-se levar apenas pelas camadas mais externas do que quer que seja. Poderia ser esse mesmo tipo de inocência, perniciosa, que arrebataria milhares de jovens a se distanciar cada vez mais de nossa cultura?
De qualquer maneira, acredito que quanto menos cenário e menos figurino, melhor deva ser o ator. Do contrário não teria prendido nossa atenção até o final e transmitido toda aquela mistura de emoções sem outras “atrações”.
PÚBLICO
Foi uma experiência lamentável presenciar o comportamento de muitas pessoas da platéia. Não vejo nenhum problema quando a platéia reage ao enredo da peça; rindo, chorando, exclamando ohhhs. Até aí, tudo bem, pois a reação é consonante com o tema. Mas rir num momento dramático ou não fazer silêncio em falas importantes, ou pior, não fazer silêncio durante todo o espetáculo, é falta de educação e de bom senso. E fazendo ainda uma análise mais apurada do comportamento da platéia eu diria: inocência. Por que inocência? Ora, rir de um figurino simples, de gestos estapafúrdios ou do comportamento típico de artistas em cena, só pode ser proveniente da inocência de jovens que a léguas de distância de emoções mais complexas e profundas, deixam-se levar apenas pelas camadas mais externas do que quer que seja. Poderia ser esse mesmo tipo de inocência, perniciosa, que arrebataria milhares de jovens a se distanciar cada vez mais de nossa cultura?
Universo Humano
Enquanto nobres vislumbram no universo humano a supremacia da evolução, seres insignificantes pastam sobre seus próprios excrementos, alimentam-se de fúteis e cotidianos dissabores interpessoais, defecam desprezo à nobreza, obram uma débil labuta e almejam... Almejam o que mesmo? Talvez apenas, egoisticamente, uma improvável morte sem dor. Reles!
Como é bom ser louco! Melhor rir feito louco assistindo a roda girar movida por essa corja de seres patéticos a ser como pobres e inúteis cordeiros que desdenham da loucura, mas aflitos a desejam, pois somente ela pode predizer-lhes quão branda pode ser a própria morte.
Como é bom ser louco! Melhor rir feito louco assistindo a roda girar movida por essa corja de seres patéticos a ser como pobres e inúteis cordeiros que desdenham da loucura, mas aflitos a desejam, pois somente ela pode predizer-lhes quão branda pode ser a própria morte.
Destino
Sabes por acaso sequer como suportar a dor e viver?
Por que não nos elucida as respostas sem que tenhamos que errar tanto por estes mares de loucuras inconcebíveis?
Por estas trevas temerosas que se avolumam nos vãos de nossos momentos infelizes...
Por que não nos trás à tona as verdades resplandecentes dos nossos mais sublimes sentimentos?
Por que ocultas sem pudor nosso amor impiedosamente subjugado pela razão?
Dê-nos somente a paz para que cheguemos a ti, virtuoso destino. Chegaremos onde quiserdes.
Ousaremos voltar e traçar o mesmo caminho repetidas vezes.
As angústias vividas neste perverso caminho imputado por ti, profano destino, fazem-nos criar lúdicas fantasias que inibem destemidamente nossa sensatez.
Amemo-nos! Proliferemo-nos!
Talvez o perverso caminho torne-se um mar calmo, ou um céu límpido, ou uma planície florida e verdejante.
Talvez nossa alma vague acima disso tudo segregando o que há de melhor e germina em nós.
Nobre destino. Pobre destino. Possui a chave de ouro da porta da sala do tesouro e mendiga rastejando clemência por nossa audácia ao arrombar esta porta e usufruir e esbanjar de nosso tesouro.
Desnudado destino, pelos caminhos que nos envia seremos servos, pelos caminhos audaciosos que ousaremos traçar seremos deuses.
Sem fronteiras
Acredito num mundo sem fronteiras. Somos uma só raça, a raça humana. Convivemos pacificamente com os animais. Somos únicos e exclusivos. Somos nosso maior patrimônio. Uma só raça, inteligente e privilegiada porque podemos dominar todos aqueles que não são de nossa raça. Não só podemos dominar como também entender, estudar, compreender e interagir em paz com outras espécies.
Blocos de países unificando-se no oeste, no leste, no norte e no sul. Estamos a caminho de um entendimento entre todos os seres humanos e por fim um mundo harmonioso, sem fronteiras e em paz.
Filósofos, sociólogos, líderes políticos e religiosos, governantes e governados; buscando o conhecimento, a união, a paz e o progresso. Buscando atravessar novas fronteiras do Universo para aportar seguro em suas origens.
Que tal começarmos ultrapassando nossas próprias fronteiras? Temos a força e o poder necessários. Temos o dom de ouvir. Ouçamos a voz de nosso igual. Temos o poder da persuasão. A quem persuadir, senão a nós mesmos de que podemos estar em paz? Temos a força da emoção. Quantas são as emoções que podemos sentir? Senti-las é o nosso maior segredo. Senti-las em sua amplitude e deixá-la à deriva de nossas atitudes. Com certeza encontraremos o pote de ouro no fim do arco-íris.
Que tal nossa mãe maior? Somos nós. Mesma matéria e mesma emoção. Nossos segredos estão nela. Somos o grande segredo dela. Nossa natureza de moléculas unidas e infinitos átomos hão de ser nossa eterna razão. Somos uma grande massa gerada pela mesma massa e capaz de gerar tantas quantas outras massas. Para onde vamos afinal se somos tudo e já estamos aqui? Jamais morreremos, por isso olhe bem no espelho; eles estão ao seu redor e seu reflexo é o próprio mundo. O algo desconhecido é você com suas emoções repletas de segredos.
Nada supera a força do sentimento. É preciso que se sinta tudo o tempo inteiro. É preciso que estejamos inteiramente abertos às sensações oriundas de nós, assim brilharemos e nosso brilho iluminará o Universo e nos fará enxergar o caminho. Essa luz não pode ser apagada por nada nem por ninguém ou o mundo inteiro se apagaria.
A paz é necessária e urgente. Precisamos de um mundo sem fronteiras e em paz. Precisamos de progresso e paz.
E que a paz esteja com você, abrindo suas fronteiras e descobrindo seus segredos. E que você sorria a cada segredo desvelado, pois este idioma universal é seu passaporte para a vida e o encontro fugaz com a felicidade eterna.
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